quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Entrevista com Paulo Niemeyer Filho - Neurocirurgião

POR DENTRO DO CÉREBRO
Parte da entrevista rev. PODER, ao neurocirurgião Paulo Niemeyer Filho, abaixo, quando lhe foi perguntado:
PODER: O que fazer para melhorar o cérebro ?
PN: Vc. tem de tratar do espírito. Precisa estar feliz, de bem com a vida, fazer exercício. Se está deprimido, com a autoestima baixa, a primeira coisa que acontece é a memória ir embora; 90% das queixas de falta de memória são por depressão, desencanto, desestímulo. Para o cérebro funcionar melhor, você tem de ter motivação. Acordar de manhã e ter desejo de fazer alguma coisa, ter prazer no que está fazendo e ter a autoestima no ponto.
PODER: Cabeça tem a ver com alma?
PN: Eu acho que a alma está na cabeça. Quando um doente está com morte cerebral, você tem a impressão de que ele já está sem alma... Isso não dá para explicar, o coração está batendo, mas ele não está mais vivo.
PODER: O que se pode fazer para se prevenir de doenças neurológicas?
PN: Todo adulto deve incluir no check-up uma investigação cerebral. Vou dar um exemplo: os aneurismas cerebrais têm uma mortalidade de 50% quando rompem, não importa o tratamento. Dos 50% que não morrem, 30% vão ter uma sequela grave: ficar sem falar ou ter uma paralisia. Só 20% ficam bem. Agora, se você encontra o aneurisma num checkup, antes dele sangrar, tem o risco do tratamento, que é de 2%, 3%. É uma doença muito grave, que pode ser prevenida com um check-up.
PODER: Você acha que a vida moderna atrapalha?
PN: Não, eu acho a vida moderna uma maravilha. A vida na Idade Média era um horror. As pessoas morriam de doenças que hoje são banais de ser tratadas. O sofrimento era muito maior. As pessoas morriam em casa com dor. Hoje existem remédios fortíssimos, ninguém mais tem dor.
PODER: Existe algum inimigo do bom funcionamento do cérebro?
PN: O exagero. Na bebida, nas drogas, no sexo, na comida. O cérebro tem de ser bem tratado como o corpo. Uma coisa depende da outra. É muito difícil um cérebro muito bem num corpo muito maltratado, e vice-versa.
PODER: Qual a evolução que você imagina para a neurocirurgia?
PN: Até agora a gente trata das deformidades que a doença causa, mas acho que vamos entrar numa fase de reparação do funcionamento cerebral, cirurgia genética, que serão cirurgias com introdução de cateter, colocação de partículas de nanotecnologia, em que você vai entrar na célula, com partículas que carregam dentro delas um remédio que vai matar aquela célula doente. Daqui a 50 anos ninguém mais vai precisar abrir a cabeça.
PODER: Você acha que nós somos a última geração que vai envelhecer?
PN: Acho que vamos morrer igual, mas vamos envelhecer menos. As pessoas irão bem até morrer. É isso que a gente espera. Ninguém quer a decadência da velhice. Se você puder ir bem de saúde, de aspecto, até o dia da morte, será uma maravilha.
PODER: Hoje a gente lida com o tempo de uma forma completamente diferente. Você acha que isso muda o funcionamento cerebral das pessoas?
PN: O cérebro vai se adaptando aos estímulos que recebe, e às necessidades. Você vê pais reclamando que os filhos não saem da internet, mas eles têm de fazer isso porque o cérebro hoje vai funcionar nessa rapidez. Ele tem de entrar nesse clique, porque senão vai ficar para trás. Isso faz parte do mundo em que a gente vive e o cérebro vai correndo atrás, se adaptando.
PODER: Você acredita em Deus?
PN: Geralmente depois de dez horas de cirurgia, aquele estresse, aquela adrenalina toda, quando acabamos de operar, vai até a família e diz: "Ele está salvo". Aí, a família olha pra você e diz: "Graças a Deus!". Então, a gente acredita que não fomos apenas nós.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Pesquisadores nacionais comemoram resultados de vacina espanhola anti-HIV, mas ressaltam que eficácia só será comprovada em testes com mais pessoas

Descoberta de um protótipo de vacina contra o HIV muito mais potente que os desenvolvidos até agora, anunciada nessa quarta-feira na Espanha, foi comemorada por pesquisadores aqui no Brasil. No entanto, eles reforçam que é preciso cautela e fazem algumas ressalvas sobre a nova pesquisa.
“Qualquer avanço em busca de uma vacina contra a aids deve ser comemorado, e ainda mais um como este que obteve uma resposta imunológica contra o HIV tão robusta”, comentou Esper Kallás, infectologista e investigador principal da unidade de pesquisa clínica que realiza em São Paulo estudos de novas drogas e vacinas ("São Paulo Clinical Trials Unit").
Para ele, a divulgação de resultados como esse pode ajudar a aumentar a procura de interessados em ser voluntários de novas pesquisas. Esper lembra, entretanto, que outros testes de vacinas contra o HIV já se mostraram bem eficazes numa primeira fase, mas ineficazes quando submetidos a mais pessoas.
O ativista e membro do Comitê Nacional de Vacinas, Jorge Beloqui, ressaltou que a boa resposta imunológica da vacina espanhola não pode ser confundida com eficácia. “A descoberta é muito interessante, mas ainda não conhecemos bem qual é a porcentagem de resposta imunológica necessária para termos uma eficácia preventiva contra o HIV”, disse.
Artur Kalichman, responsável pelo setor de vacinas no Centro de Referência em DST e Aids de São Paulo, explicou que o protótipo MVA-B (Vaccinia Modificado Ankara), ou seja, o vírus atenuado que serve como modelo na pesquisa espanhola já foi usado no Brasil e se mostrou muito promissor, contudo, ainda é cedo para se falar de uma vacina para a população.
“O que irá dizer melhor sobre a eficácia desse produto será o tes te que os espanhóis irão fazer com os pacientes já infectados pelo vírus. Se a reação for boa e ajudar no tratamento da aids, também será útil para a prevenção”, finalizou.
Após manifestarem uma grande eficácia em ratos e macacos, os testes começaram a ser aplicados há cerca de um ano em 30 pessoas sadias, escolhidas entre 370 voluntários. Durante o teste, seis pessoas receberam placebo e 24 a vacina.
Em 95% dos pacientes, o protótipo gerou defesa (normalmente atinge 25%) e, enquanto outras vacinas estimulam células ou anticorpos, este novo conseguiu estimular ambos. Para 85% dos pacientes, as defesas geradas se mantiveram durante pelo menos um ano.
Na próxima etapa, os pesquisadores realizarão um novo teste clínico, desta vez com voluntários infectados pelo HIV. O objetivo é saber se o composto, além de prevenir, pode servir para tratar a doença.
O estudo foi apresentado nessa quarta-feira por Mariano Esteban, do Centro Nacional de Biotecnologia do Conselho Superior de Pesquisas Científicas da Espanha (CSIC); Felipe García, do Hospital Clínic de Barcelona, e Juan Carlos López Bernaldo de Quirós, do Hospital Gregorio Marañón de Madri.
O resultado da pesquisa foi publicado nas revistas científicasVaccine e Journal of Virology.

Comissão visita Secretaria para tratar de repasse de recursos da saúde

A Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa de Minas Gerais realizará visita à Secretaria de Estado de Saúde, nesta terça-feira (4/10/11), às 11 horas. A visita foi solicitada pelos deputados Hely Tarqüínio (PV), Adelmo Carneiro Leão (PT), Doutor Wilson Batista (PSL) e Neider Moreira (PPS), e discutirá, entre outros assuntos, a atual situação da saúde no Estado.
De acordo com o deputado Carlos Mosconi (PSDB), presidente da comissão, o objetivo é buscar entender a posição do secretário Antônio Jorge de Souza Marques em relação ao repasse insuficiente de recursos para a saúde por parte do Governo Federal. "O repasse de Brasília para Minas Gerais é muito aquém do necessário. Minas tem uma grande defasagem em relação aos outros Estados; somos o 18° colocado entre os Estados na lista de repasses do Governo Federal e precisamos de uma solução", afirmou o parlamentar.
Outros temas que serão debatidos na reunião são o valor pago pelos serviços prestados pelos médicos e a precariedade dos hospitais regionais do Estado.

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Doenças do Sono Aumentam Riscos de Hipertensão

Estudo publicado na revista Hypertension, da American Heart Association, mostra que pessoas com apneia têm alterações na função dos vasos sanguíneos da mesma forma que pessoas com pressão alta. Estima-se que cerca de 40% dos indivíduos com hipertensão arterial apresentam a síndrome da apneia obstrutiva do sono.
Sabe aquele ronco que segue um mesmo ritmo, vai ficando mais alto, e de uma hora para outra é interrompido por um período de silêncio, quando a pessoa fica totalmente sem respiração, voltando logo depois ao ritmo inicial? Pois este processo é chamado de apneia obstrutiva do sono, doença que atinge aproximadamente sete em cada 100 indivíduos, cuja prevalência é maior no sexo masculino. Pela primeira vez, estudo britânico da Universidade de Birmingham, publicado no periódico Hypertension, mostra que as pessoas com apneia têm alterações na função dos vasos sanguíneos igualmente aqueles que têm pressão alta, mesmo em pessoas saudáveis.
Segundo dados da Sociedade Brasileira de Hipertensão, é comum que hipertensos tenham problema de apneia e vice-versa. Cerca de 40% dos indivíduos com hipertensão possuem a doença. Isto acontece porque a faringe, ao relaxar durante o sono, torna estreita a passagem de ar, provocando as vibrações típicas do ronco, até se fechar completamente e interromper o fluxo respiratório temporariamente. Numa reação de defesa, o organismo libera adrenalina, que contrai os vasos, restringindo assim o espaço por onde o sangue circula. Como o volume sanguíneo precisa correr por vias contraídas, há o aumento da pressão.
No início, esse aumento ocorre apenas durante o sono, mas com o tempo pode passar a ser uma rotina. Por isso, a medição da pressão arterial é ainda mais importante nas pessoas com apneia. E aqui começa mais um problema. O indivíduo que ronca e interrompe a respiração, muitas vezes nem percebe o sufoco pelo qual passa enquanto dorme, pois com a apneia ele não respira da maneira correta e o corpo acaba não conseguindo descansar como deveria.
É importante que o paciente com apnéia não neglicencie o problema, pois podem com o passar do tempo ter o mesmo endurecimento das artérias como os hipertensos, aumentando o risco de doenças cardíacas.

O Perigo de "Juntar as Escovas de Dentes"

A expressão "juntar as escovas de dentes", utilizada para classificar as pessoas que decidem dividir a mesma residência, vem sendo utilizada , de maneira didática, para orientar a população sobre os perigos que a falta de higienização e de cuidados com as cerdas podem gerar para a saúde pública.
Juntar as escovas de dentes pode trazer mais problemas do que as pessoas imaginam. Não para o relacionamento do casal ou familiar, mas para a saúde das pessoas que insistem em armazená-las, juntas, em copos ou recipientes abertos sobre a pia ou no armário do banheiro.
As cerdas expostas, sem a higienização correta ou próximas umas das outras, servem como ambiente fértil para a proliferação de vírus, bactérias e fungos causadores de cáries, gengivites e periodontite ou, ainda, agravar o quadro de outras doenças, como cardiopatias, pneumonias e o estado de saúde de pacientes que estão hospitalizados em UTI. "Após o uso, é importante lavar bem a escova com água corrente, secá-la preferencialmente com papel toalha e armazená-la em local seco, dentro de uma gaveta ou armário do banheiro. O ideal é usar protetores para as cerdas a fim de evitar o contato entre as escovas e a contaminação, situação comum quando elas são guardadas em um mesmo copo ou recipiente ou quando são transportadas em bolsas ou mochilas".
Para quem deseja complementar a limpeza das escovas pode ser realizada com uma solução antisséptica, conhecida como gluconato de clorexidina a 0,12%, que é eficiente para reduzir os microrganismos nas cerdas", solução encontrada nas farmacias.

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Ministério da Saúde afirma que cuidados simples podem evitar mau hálito

Mesmo sendo fácil de tratar, muita gente ainda sofre com a halitose e passa por perturbações na vida pessoal e no trabalho por causa do problema.
A halitose pode alterar a vida social, familiar e até mesmo de trabalho de uma pessoa. A presença do mau hálito, mesmo não tendo grandes efeitos clínicos para a pessoa, pode, na maioria das vezes, provocar sérios prejuízos psicossociais: insegurança ao se aproximar das pessoas, depressão, dificuldade em estabelecer relações amorosas, resistência ao sorriso, ansiedade e baixo desempenho profissional são algumas de suas consequências relatadas por pessoas que sofrem ou sofreram com o problema.


Para iniciar o tratamento contra o mau hálito é preciso descobrir primeiro a causa, pois o problema pode ser originado por diversos fatores bucais. "As causas podem ser problemas bucais e não bucais. Ao perceber que tem mau hálito, a pessoa deve procurar o dentista, que poderá identificar se a causa é cárie, doença periodontal, alguma lesão na boca, uma higiene oral deficiente, até casos de neoplasia e algum tipo de câncer pode provocar halitose. Mas também pode não ser bucal. Pode ser, por exemplo, uma sinusite, uma amigdalite, uma faringite, uma rinite. Então o dentista vai te orientar a procurar um profissional especializado.
Para evitar a halitose é importante também fazer a higienização correta da boca, principalmente da língua. A prevenção é a medida mais importante no caso do mau hálito. "Assim que a pessoa se alimentar deve fazer a sua escovação, usar fio-dental e não esquecer a língua. O ideal é que tudo isso seja feito logo após a refeição, sem deixar que passe mais que vinte minutos.”